Quando o assunto é Estudos Culturais, é impossível não citar Raymond Williams. Como você já conferiu aqui no Culturama, ele foi um dos fundadores do Centro Contemporâneo de Estudos Culturais, ao lado de Hoggart e Thompson.
Além de acadêmico, Williams foi crítico e novelista galês. Seus trabalhos sempre refletiam seu pensamento marxista, fosse através de escritas sobre política, literatura ou Cultura de Massas.
Ainda na adolescência, Raymond Williams ingressou no "Clube do Livro da Esquerda". Foi nessa fase que ele leu Marx pela primeira vez, "O Manifesto Comunista".
Durante a Segunda Guerra Mundial, Williams afiliou-se ao Partido Comunista Britânico e, durante esse tempo, ficou responsável pelos textos dos panfletos distribuídos pelo Partido.
Williams fez mestrado em Trinity College, em 1946. Em 1958, lançou "Cultura e Sociedade", que se tornou um sucesso imediato, sendo seguido por "A Longa Revolução", de 1961. Ainda em 61, foi convidado para voltar a Cambridge como professor de Dramaturgia. Em 1973, tornou-se professor visitante de Ciências Políticas, em Stanford.
A obra de Raymond Williams vendeu mais de 750 mil cópias, apenas no Reino Unido. Seus trabalhos ainda foram traduzidos e lançados ao redor do mundo, como podemos conferir nas aulas de Comunicação e Cultura e Estudos Culturais.
10.10.14
|Estudos Culturais Britânicos - reflexões.
|O surgimento dos Estudos Culturais, no final da década de 50 e início da década de 60, são um marco importante pois inauguram um forma diferenciada de olhar e analisar a cultura nas suas distintas acepções, sobretudo no que se refere as relações entre o popular, o erudito e o massivo.
|Os assim considerados "pais fundadores" - Richard Hoggart, Raymond Williams e E.P. Thompson - dão as bases iniciais desse processo.|Destacamos abaixo alguns textos acadêmicos que buscam resgatar algumas contribuições importantes desses pensadores.
|Os assim considerados "pais fundadores" - Richard Hoggart, Raymond Williams e E.P. Thompson - dão as bases iniciais desse processo.|Destacamos abaixo alguns textos acadêmicos que buscam resgatar algumas contribuições importantes desses pensadores.
|O primeiro, "O pesquisador e a lógica histórica: contribuições do historiador E.P. Thompson para a pesquisa em educação", de Regina Linhares Hostins, destaca algumas contribuições de Thompson e busca, como diz a autora na introdução, "reconstituir o modo segundo o qual o historiador Edward Thompson conduziu seu trabalho de investigação histórica; para tanto vale-se da análise das obras A miséria da teoria ou um planetário de erros (1981) e A formação da classe operária inglesa (1997; 1988; 1989). Busca estabelecer uma relação didática entre alguns pressupostos teórico-metodológicos defendidos pelo autor na primeira obra – fundamentado no materialismo histórico - e a materialização desses conceitos no minucioso processo de investigação por ele empreendido em A formação da classe operária inglesa - um dos seus principais trabalhos de pesquisa histórica - no qual analisa o processo de formação dessa classe, no período de 1780 a 1832."
|O segundo texto, "A cultura popular a partir dos Estudos Culturais Britânicos", como afirma seu autor, Edson Dalmonte, "apresenta os estudos culturais em sua origem na Grã-Bretanha, com base na obra de Richard Hoggart, The uses of literacy, publicado em 1957. Hoggart indica uma nova concepção de cultura, sendo a popular, iletrada, ao contrário do que se pensava, uma manifestação capaz de conferir ao indivíduo um referencial que o habilita a uma leitura diferencial dos produtos midiáticos. Também Raymond Williams, outro precursor da Escola de Birmingham, busca nas conceituações de cultura uma forma de compreender as articulações entre tentativas de dominação e resistência a partir do campo cultural."|Boa leitura!
8.10.14
Romantismo x Iluminismo

"Uma mesa cheia de feijões. O gesto de os juntar num montão único. E o gesto de os separar, um por um, do dito montão. O primeiro gesto é bem mais simples e pede menos tempo que o segundo. Se em vez da mesa fosse um território, em lugar de feijões estariam pessoas. Juntar todas as pessoas num montão único é trabalho menos complicado do que o de personalizar cada uma delas. O primeiro gesto, o de reunir, aunar, tornar uno, todas as pessoas de um mesmo território é o processo da CIVILIZAÇÃO. O segundo gesto, o de personalizar cada ser que pertence a uma civilização é o processo da CULTURA. É mais difícil a passagem da civilização para a cultura do que a formação de civilização. A civilização é um fenómeno colectivo. A cultura é um fenómeno individual. Não há cultura sem civilização, nem civilização que perdure sem cultura"
*Almada Negreiros in "Ensaios"
Já parou pra pensar nessa distinção entre Cultura e Civilização? A alegoria dos feijões nos dá uma boa idéia do que seja essa diferença. A origem desses conceitos está num eterno embate entre dois pensamentos bem opostos, que foram objetos de debate na nossa aula de Comunicação e Cultura. Ou você se esqueceu de que defendeu ou atacou Rousseau e Hobbes recentemente??
Romantismo e Iluminismo assumem posicionamentos bem diferente. O primeiro apregoava o sentimento profundo pela beleza da natureza, o sonhar com o passado, a cultura em volta de ruínas, o sentimento virtuoso do homem, a pureza, a bondade, etc. Relacionando a cultura a um crescimento espiritual ('kultur'), o Romantismo a encara como um repertório, uma forma de acumular soluções e idéias aprendidas e pensadas e hábitos sedimentados pelas gerações passadas. A Cultura, para os românticos, resgata as características específicas de um povo, valorizando a tradição história e popular, exaltando esse povo.
Já o Iluminismo, marcado pela razão e conferindo valor à faculdade intelectual do homem e à sociedade que se instaurava com a ascensão burguesia, disseminava suas idéias de progresso e ciência superando o passado, as tradições e encarando aquela cultura do Romantismo como uma mera mediação da civilização. As idéias iluministas, de fato, estão impregnadas de uma força ampla, que é a totalidade, a realização permanente e comum dos homens; um único modelo adequado de existência para os povos, aqueles munidos de conhecimento científico.
Ambas as posturas são bem divergentes; entretanto, historicamente contribuem para entendermos e analisarmos a cultura e os povos. E você? Afilia-se ao Romantismo ou ao Iluminismo? Consegue determinar que tipo de pensamento seria eficaz na análise dos Estudos Culturais? Será que alguma postura se adequa aos nossos estudos? Será que ambas podem se complementar em algum nível? Que conclusões podem ser alcançadas ao analisar este eterno embate?
Para quem lê bem em inglês, fica um vídeo muito parecido com a discussão que tivemos em sala de aula. "Rousseau e Hobbes jogando xadrez"
.
*Artista Português
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Romantismo e Iluminismo assumem posicionamentos bem diferente. O primeiro apregoava o sentimento profundo pela beleza da natureza, o sonhar com o passado, a cultura em volta de ruínas, o sentimento virtuoso do homem, a pureza, a bondade, etc. Relacionando a cultura a um crescimento espiritual ('kultur'), o Romantismo a encara como um repertório, uma forma de acumular soluções e idéias aprendidas e pensadas e hábitos sedimentados pelas gerações passadas. A Cultura, para os românticos, resgata as características específicas de um povo, valorizando a tradição história e popular, exaltando esse povo.
Já o Iluminismo, marcado pela razão e conferindo valor à faculdade intelectual do homem e à sociedade que se instaurava com a ascensão burguesia, disseminava suas idéias de progresso e ciência superando o passado, as tradições e encarando aquela cultura do Romantismo como uma mera mediação da civilização. As idéias iluministas, de fato, estão impregnadas de uma força ampla, que é a totalidade, a realização permanente e comum dos homens; um único modelo adequado de existência para os povos, aqueles munidos de conhecimento científico.
Ambas as posturas são bem divergentes; entretanto, historicamente contribuem para entendermos e analisarmos a cultura e os povos. E você? Afilia-se ao Romantismo ou ao Iluminismo? Consegue determinar que tipo de pensamento seria eficaz na análise dos Estudos Culturais? Será que alguma postura se adequa aos nossos estudos? Será que ambas podem se complementar em algum nível? Que conclusões podem ser alcançadas ao analisar este eterno embate?
Para quem lê bem em inglês, fica um vídeo muito parecido com a discussão que tivemos em sala de aula. "Rousseau e Hobbes jogando xadrez"
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*Artista Português
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6.10.14
Marilena Chauí
Contribuiu para a área dos Estudos Culturais com reflexões sobre a cultura popular (sobretudo no contexto brasileiro), hegemonia e resistência, a pluralidade do conceito de Cultura e sua relação com a indústria cultural e os meios de comunicação de massa.
Chauí leciona atualmente na USP; em março do ano passado, concedeu uma entrevista à "Revista Cult" que pode ser lida na íntegra em: http://revistacult.uol.com.br/home/2010/03/entrevista-marilena-chaui/
11.9.14
Adam Kuper e as civilizações
Adam Kuper é um antropólogo nascido em 1941, ligado à Escola de Antropologia Social. Em seus trabalhos, costuma analisar a cultura em seus usos e seus significados.
Nascido e criado na África do Sul, ele ingressou na Universidade de Witwatersrand em Johannesburg. Seu doutorado, na Universidade de Cambridge, foi baseado no campo de pesquisa no deserto Kalahari, que hoje é conhecido como Botswana. Depois da graduação, ele retornou à África, fazendo diversos trabalhos de campo em Botswana e Uganda e ensinando por três anos na Universidade Makerere, em Kampala. De 1970 a 1976, lecionou na Universidade College London. De 1976 a 1985, ele foi professor de antropologia africana na Universidade Leiden, na Holanda. De 1985 a 2008, foi professor na Universidade Brunel, onde era chefe do Departamento de Ciências Humanas e, mais tarde, chefe do Departamento de Antropologia.
Recebeu o prêmio de pesquisa "Leverhulme Major Research Grant" por dois anos (2003 e 2005), o qual o permitiu gastar mais de seu tempo com pesquisas.
10.9.14
| Paradise Now

Em Paradise Now, o diretor e roteirista Hany Abu-Assad passa a mostrar algumas razões que levam pessoas simples e comuns, sem nenhuma espécie de radicalismo político ou religioso e com uma forte ligação familiar, a tomar formas tão drásticas de combate. A partir desta tônica, podemos pensar nos seguintes aspectos: Estariam os homens bombas realmente convictos da necessidade de se explodirem, no intuito de destruir alvos considerados inimigos? Seria a violência a melhor forma de lutar contra um sistema opressor, mesmo sendo ele exageradamente violento, como comprovadamente foi Israel em relação à Palestina? Como convivemos com a diferença? São inúmeras as questões levantadas em virtude desse longo e discutido conflito. Pensemos e analisemos algumas dessas questões levantadas pelo filme.

9.9.14
LÉVI-STRAUSS
Lévi-Strauss, considerado o pai da antropologia estrutural, faleceu em outubro de 2009, próximo de completar seus 101 anos e até então continuou na ativa refletindo sobre o mundo em que vivemos. Em "Tristes Trópicos", uma de suas principais publicações, ele assim se define:
"É assim que me identifico, viajante, arqueólogo do espaço, procurando em vão reconstituir o exotismo com o auxílio de fragmentos e de destroços."
Abaixo reproduzo parte da entrevista que ele deu para a Folha de São Paulo, em 1993 (leia na íntegra). Essa entrevista foi posteriormente publicada no livro "Artes do Conhecimento", que compila, juntamente com "Conhecimento das Artes", as consideradas 100 melhores entrevistas publicadas pelo caderno cultural Mais!, também da Folha.
FOLHA DE SÃO PAULO - O relativismo antropológico, do qual o senhor é um fundador...
LÉVI-STRAUSS - De jeito nenhum. Não sou o fundador do relativismo antropológico. Ele existe desde Montaigne [1533-92]
FOLHA - De qualquer jeito, o relativismo antropológico não teria reproduzido nas sociedades ocidentais contemporâneas um pensamento análogo, uma estrutura equivalente hoje à ideologia bipartida dos ameríndios, já que propõe a co-habitação com culturas exteriores?
LÉVI-STRAUSS - Alguns podem fazê-lo e pensar dessa forma talvez. Mas eu não iria tão longe. Para mim o relativismo cultural não tem conteúdo positivo. É simplesmente a constatação de que não dispomos nenhum critério absoluto para julgar uma cultura em relação à outra. Eu paro diante dessa incapacidade. Não tento substituí-la por algo positivo, como seria a doutrina da Unesco, por exemplo.
FOLHA - O senhor sempre tomou o partido da ciência, mas, na releitura de Montaigne que faz em a História do Lince mostra também suas distâncias em relação a uma fé no conhecimento. O senhor se tornou mais cético em relação à ciência?
LÉVI-STRAUSS - A lição que tirei de Montaigne é que estamos condenados a viver e pensar simultaneamente em vários níveis e que esses níveis não incomensuráveis. Há saltos existenciais para passar de um a outro. O último nível é um ceticismo integral. Mas não se pode viver com ceticismo integral. Seria preciso se suicidar ou se refugiar nas montanhas. Somos obrigados a viver ao mesmo tempo em outros níveis em que esse ceticismo está moderado ou totalmente esquecido. Para fazer ciência, é preciso fazer como se o mundo exterior tivesse uma realidade e como se a razão humana fosse capaz de compreendê-lo. Mas é "como se".
Texto "Raça e História" - Lévi-Strauss
Alunos de Comunicação e Cultura! Próxima semana começamos a analisar o texto de Lévi-Strauss - "Raça e História", que pode ser encontrado aqui.


21.8.14
TEXTO PARA COMUNICAÇÃO E CULTURA - FRANZ BOAS
Estimados alunos de Comunicação e Cultura!
Próxima aula, vamos continuar a trabalhar com os dois textos de Franz Boas - "Os métodos da etnologia" e "Alguns problemas de metodologia nas ciências sociais", do livro "Antropologia cultural", Zahar, 2005. Os textos estão em nossa pasta do xérox, mas também podem ser encontrados clicando aqui. Abraços.
Próxima aula, vamos continuar a trabalhar com os dois textos de Franz Boas - "Os métodos da etnologia" e "Alguns problemas de metodologia nas ciências sociais", do livro "Antropologia cultural", Zahar, 2005. Os textos estão em nossa pasta do xérox, mas também podem ser encontrados clicando aqui. Abraços.
12.8.14
"É que Narciso acha feio o que não é espelho..."
Quando Caetano Veloso gravou o álbum "Muito", em 1978, ele recebeu duras críticas sobretudo pelo repertório. Uma música desse álbum ficou eternizada na carreira de Caetano Veloso e nas aulas de Comunicação e Cultura: "Sampa"!
As impressões de um músico baiano sobre a grande cidade de São Paulo se refletem na letra que, além de citar a geografia da cidade, mostra a cultura local vista por alguém de fora.
As impressões de um músico baiano sobre a grande cidade de São Paulo se refletem na letra que, além de citar a geografia da cidade, mostra a cultura local vista por alguém de fora.
Estimados alunos de Comunicação e Cultura 2014/2!
Sejam todos bem vindos. Vamos, durante o semestre, refletir sobre cultura, etnocentrismo, relativismo cultural, diferenças e vários outros temas relacionados à cultura.
O primeiro texto que discutiremos é "Da natureza da cultura ou da natureza à cultura", "Determinismo biológico" e "Determinismo geográfico", de Roque de Barros Laraia, da p.9-29. Esse livro pode ser encontrado em http://comunicacaoeesporte.files.wordpress.com/2010/10/cultura-um-conceito-antropologico.pdf
Sejam todos bem vindos. Vamos, durante o semestre, refletir sobre cultura, etnocentrismo, relativismo cultural, diferenças e vários outros temas relacionados à cultura.
O primeiro texto que discutiremos é "Da natureza da cultura ou da natureza à cultura", "Determinismo biológico" e "Determinismo geográfico", de Roque de Barros Laraia, da p.9-29. Esse livro pode ser encontrado em http://comunicacaoeesporte.files.wordpress.com/2010/10/cultura-um-conceito-antropologico.pdf
14.3.14
ALUNOS DE ESTUDOS CULTURAIS
Estimados alunos de ESTUDOS CULTURAIS!
Na próxima aula vamos trabalhar o texto "Estudos Culturais, educação e pedagogia", de Marisa V. Costa, Rosa H. Silveira e Luís Henrique Sommer. Esse texto pode ser encontrado clicando aqui. Aproveito para postar o curta metragem trabalhado aula passada: Kylmair, de Màrcio Schenatto.
Na próxima aula vamos trabalhar o texto "Estudos Culturais, educação e pedagogia", de Marisa V. Costa, Rosa H. Silveira e Luís Henrique Sommer. Esse texto pode ser encontrado clicando aqui. Aproveito para postar o curta metragem trabalhado aula passada: Kylmair, de Màrcio Schenatto.
24.9.13
Diferenças Culturais
Já pensou que poderia deixar alguém ofendido ao assoar o nariz na rua? Não? Então, nunca vá à Coreia do Sul.
Seu cachorro tem um microchip contendo informações de vacinação? Não? Então não o leve a Paris.
Quer passear numa excursão com um grupo de franceses? Bem, acho que você irá sozinho.
Ainda que estiver com muita fome em um país árabe, não coma toda a comida do prato. Afinal, você não quer ser chamado de mal-educado, não é? Mas se estiver no Japão, deixe o prato limpo. Afinal, você não quer fazer desfeita, não é mesmo?
Se não lhe apetece bebidas alcoólicas e, às 6 da tarde, quiser tomar um café, não vá à Rússia.
Se você não espera ser cumprimentado com um beijo na boca ou uma cuspida no pé, então retire Rússia e Nova Zelândia do seu roteiro de viagens, respectivamente.
Pensando bem, vá a todos esses lugares. Compreenda, conviva, entenda, cresça e divirta-se. As diferenças culturais existem para serem exploradas. Assista o vídeo e teste suas reações às diferenças culturais.
O vídeo é, no mínimo, engraçado. Aliás, o próprio fato de achá-lo engraçado, já me situa na minha própria cultura.
E você? Já teve algum estranhamento frente à diferença de determinada cultura?
Já conviveu com diferenças culturais de outros países? De outros estados? De outras cidades?
Sabe de outras diferenças curiosas sobre outros países?
E todas essas diferenças? São elas melhores ou piores que as suas?
Bem, essa resposta eu tenho. Nem piores, nem melhores. Apenas diferentes.
...
Seu cachorro tem um microchip contendo informações de vacinação? Não? Então não o leve a Paris.
Quer passear numa excursão com um grupo de franceses? Bem, acho que você irá sozinho.
Ainda que estiver com muita fome em um país árabe, não coma toda a comida do prato. Afinal, você não quer ser chamado de mal-educado, não é? Mas se estiver no Japão, deixe o prato limpo. Afinal, você não quer fazer desfeita, não é mesmo?
Se não lhe apetece bebidas alcoólicas e, às 6 da tarde, quiser tomar um café, não vá à Rússia.
Se você não espera ser cumprimentado com um beijo na boca ou uma cuspida no pé, então retire Rússia e Nova Zelândia do seu roteiro de viagens, respectivamente.
Pensando bem, vá a todos esses lugares. Compreenda, conviva, entenda, cresça e divirta-se. As diferenças culturais existem para serem exploradas. Assista o vídeo e teste suas reações às diferenças culturais.
O vídeo é, no mínimo, engraçado. Aliás, o próprio fato de achá-lo engraçado, já me situa na minha própria cultura.
E você? Já teve algum estranhamento frente à diferença de determinada cultura?
Já conviveu com diferenças culturais de outros países? De outros estados? De outras cidades?
Sabe de outras diferenças curiosas sobre outros países?
E todas essas diferenças? São elas melhores ou piores que as suas?
Bem, essa resposta eu tenho. Nem piores, nem melhores. Apenas diferentes.
...
23.9.13
O Velho Tema do eu e do outro
Nos estudos sobre cultura, é fundamental compreender e relativizar as diferenças entre indivíduos ou grupos. Não apenas para evitar tendências etnocêntricas, mas para reconhecer a forma através da qual os indíviduos constroem sentido socialmente, mesmo com base na diferença. Este processo interpessoal constitui aquilo que conhecemos como alteridade: a percepção de si mesmo e do outro, que é dada a partir da relação do "eu" com outros indivíduos.
Abordando este tema, o aluno da disciplina de Comunicação e Cultura, Bernardo Fajoses, nos recomendou um pequeno texto de Arthur da Távola capaz de exemplificar a forma pela qual estas relações entre o "eu" e o "outro" são construídas.
O VELHO TEMA DO EU E DO OUTROVeja se dá para entender: a gente, para a gente mesmo, é a gente. Raramente consegue ser o outro. A gente, para o outro, não é a gente, é o outro. Deve estar confuso. Tento de novo. Cada um de nós vive uma ambigüidade fundamental: ser a gente e ao mesmo tempo, ser o outro. Pra gente, a gente é a gente. Para o outro, a gente é o outro.
Temos, portanto, dois estados: ser o eu de cada um de nós e ser o outro. Na vida de relação, pois temos que saber ser o ‘eu individual’ e ao mesmo tempo, aceitar funcionar em estado de alteridade (outro vem de ‘alter’), ou seja, de ‘outro’.
O outro, raramente nos considera como a gente (como pessoa singular, peculiar, própria, única, desigual). Em geral, ele nos considera como o ‘outro’. Daí surgem os conflitos. Não apenas o outro em geral não nos considera como ‘a gente’. Também a gente não sabe aceitar, ou raramente aceita, ser tratado como ‘outro’. A gente quer ser tratado como a gente sabe que é, e não como o outro nos considera.
A gente sempre tem esperança que o outro descubra o que a gente é. Mas isso é muito difícil, porque o outro nos vê como ‘outro’ ou como qualquer projeção dele, jamais nos vê como a gente se vê ou quer ser visto ou gostaria de ser visto.
Uma relação de duas pessoas dá-se portanto, em quatro etapas: i) para Joaquim, Maria é o outro; ii) para Joaquim, Joaquim é Joaquim; iii) para Maria, Joaquim é o outro; iv) para Maria, Maria é Maria.
Mas Maria quer que Joaquim não a veja como ‘o outro’ e sim como Maria. E Joaquim não quer ser visto como ‘o outro’, ele quer ser visto como Joaquim. Mas nem Maria o vê como Joaquim (e sim como ‘o outro’), nem Joaquim a vê como Maria (e sim como ‘o outro’ na pessoa dela).
É essa a vontade de que nos vejam como individualidade que somos, o que nos leva a exigir talvez demais daqueles que se relacionam conosco. Eles talvez não estejam preparados (raramente estão) para nos ver como ‘eus’, como unidades próprias, como somos ou como queremos ser.
Exigir dos demais que nos vejam em nossa individualidade é um fato de pouca sabedoria. Raramente eles o conseguem, porque se somos ‘eu’ para nós mesmos, somos outro para eles. Em estado de ‘eudade’ (de eu), somos uma pessoa. Em estado de alteridade, somos outra pessoa.
Conseguir, sem exigir ou cobrar, porém, que o outro não nos veja como ‘o outro’ que somos para ele, mas como o ‘eu’ que somos para a gente, é ato de sabedoria. Significa saber ser nítido, saber colocar-se como pessoa e como individualidade, saber ocupar o próprio espaço sem qualquer invasão do espaço dos demais ou sem qualquer limitação do que eles são e nos agregamos, por inveja ou por admiração (coisas muito parecidas).
Para tal, é mister que saibamos ver o outro não apenas como o ‘outro’, mas como o ‘eu dele’ para ele. Mais claro: significa ver o outro como ele é, na condição de ‘eu’ ou seja, de indivíduo próprio, peculiar, semelhante sim, mas desigual e não na condição de ‘outro’, que é como ele chega até nós.
É no centro dessa relação que está a essência do problema da comunicação e da comunhão (que vem a ser a mesma coisa).
Eu devo ser ‘eu’ para mim e para o outro. O outro deve ser o ‘eu-dele’ para mim. Eu devo aceitar ser ‘o outro’ para o outro. Mas devo desejar e conseguir ser ‘eu’ para ele. Eu, em estado de ‘eu’, devo aceitá-lo como outro. Eu, em estado de ‘outro’, devo aceitá-lo como o eu dele. Eu e ele somos ao mesmo tempo ‘eu’. Eu e ele somos ao mesmo tempo ‘ele’. Ele é ‘eu’ mas também é ele. Por isso somos, ao mesmo tempo, semelhantes e diferentes. Por isso somos irmãos. Por isso a humanidade é uma só. Por isso a igualdade humana é uma verdade, na diferença individual.
E, para terminar, um outro alcance, paralelo ao principal, mas verdadeiro nas relações humanas: o outro nunca sabe direito o que ele é e representa para a gente. E a vida nos vai ensinando a ser cada vez mais sozinhos, pelo acúmulo de não correspondência daqueles que sempre nos significam algo, mas nunca o souberam ou perceberam na exata medida. Ou então, preocupados em excesso com os próprios problemas nunca atenderam ao potencial de afeto que por eles ou para eles havia em nós e foi desgastando em uso ou dispersão, já que não o souberam receber.
Às vezes esse ‘outro’ é mesmo o outro. Aí é a gente que fica com o próprio gesto de amor solto no ar à espera de aceitação, entendimento e correspondência. Em ambos os casos, dói. Mas isso já é outra crônica.
(TAVOLA, Arthur. In: TAVOLA, Arthur da. Cada um no meu lugar. Rio de Janeiro: PLG Comunicações, 1980)
29.1.13
Abertura para as mulheres sauditas
ARTIGO - RASHEED ABOUALSAMH
O anúncio da nomeação de 30 mulheres sauditas pelo rei Abdullah, no dia 11 de janeiro, para serem membros do conselho de Shoura, uma espécie de parlamento que propõe legislação e políticas, deixou muitos sauditas felizes com esse avanço para as mulheres sauditas. Até então, o conselho de Shoura tinha sido um bastião exclusivamente masculino de 150 membros. O decreto real nomeando as mulheres também especificou que 20% dos lugares no Shoura daqui em diante tinham que ser ocupados por mulheres, fazendo a Arábia Saudita pular no ranking mundial de países com mulheres no Parlamento da posição 184 para o 80º lugar. Ironicamente, isso botou o reino saudita à frente de países como os EUA, Irlanda, Rússia, Índia e até do Brasil, em termos proporcionais.
Todas as mulheres nomeadas, exceto por três delas, têm doutorados, e são líderes nas áreas em que atuam. Thuraya Obaid, uma das nomeadas, foi uma diretora no programa de desenvolvimento internacional das Nações Unidas em 2000, enquanto Hayat Sindi é uma das melhores atuantes no campo de biotecnologia.
"Eu fiquei emocionada e orgulhosa," me disse a jornalista saudita Abeer Mishkhas. "Quando vi a lista de nomes fiquei feliz de ver um amplo espectro de mulheres escolhidas. Eu espero que elas usem sua experiência para avançar as questões das mulheres, como os direitos das divorciadas, o direito de dirigir e leis contra o assedio sexual."
O rei Abdullah tem pressionado por uma participação maior das mulheres na vida econômica e política do país, o que não tem agradado em nada aos ultraconservadores, que tem se queixado a cada brecha aberta para as mulheres. O rei tinha anunciado a sua intenção de nomear mulheres para o Shoura em um discurso no ano passado. Em 2011 ele anunciou que mulheres iam poder se candidatar e votar em eleições municipais em 2015. E no ano passado, o governo proibiu homens de trabalhar em lojas de lingerie feminina, abrindo mais espaço para mulheres trabalharem no varejo.
"Nós tomamos essa decisão porque nos recusamos a marginalizar mulheres na sociedade saudita," disse Abdullah em discurso. "Nós queremos vê-las em papéis que seguem a Sharia islâmica, e isso foi feito depois de consultar com muitos dos nossos estudiosos que apoiaram isso", explicou, acrescentando: "Mulheres muçulmanas sempre assumiram posições que não podiam ser marginalizadas desde os tempos do profeta Maomé."
Isso não impediu que um grupo de mais de 20 clérigos fossem protestar na frente da corte real em Riad na semana passada, contra a nomeação de mulheres ao Shoura, e com a esperança de ter uma audiência com o chefe de gabinete da corte real, coisa que não aconteceu.
O jornalista saudita Ahmed al-Omran relatou no seu site Riyadh Bureau que esses clérigos disseram que essas nomeações não representavam as pessoas morais e de bons costumes, e que um pequeno subgrupo deles divulgou um comunicado com uma longa lista de queixas contra o governo.
Entre suas acusações contra o governo estavam: o patrocínio de um caos ideológico e frouxidão cultural através de feiras de livros, clubes de literatura, bibliotecas e cafés, bem como a margem crescente de liberdade de expressão na mídia; a abertura de escolas de Direito, com isso enfraquecendo as cortes de Sharia; mudanças na política de educação que permitem a mistura dos sexos em algumas instâncias e o gasto de bilhões de rials para mandar estudantes ao estrangeiro; deixar mulheres participar de esportes, incluindo a decisão de mandar duas atletas sauditas para as Olimpíadas em Londres no ano passado, e a normalização da mistura dos sexos na sociedade através do encorajamento do emprego de mulheres em áreas como o varejo, indústria, restaurantes e escritórios de advocacia.
Como se pode ver pela longa lista de queixas, infelizmente esses clérigos ultraconservadores não querem deixar as mulheres sauditas fazer nada além de ter filhos e cuidar de suas casas. É também irônico o fato de que recorreram a uma manifestação pública, já que a maioria dos clérigos sauditas acha que protestos públicos não devem ser permitidos, porque mostrariam desobediência à soberania do país e levariam à desordem na sociedade.
A verdade é que, como sempre, mudanças na Arábia Saudita vêm do topo e não de baixo. Nos anos 1960 o governo saudita teve muitos problemas com a introdução de uma emissora de televisão, com muitos clérigos protestando contra isso, dizendo que era coisa do Diabo para arruinar o país. Restou ao rei Faisal mostrar para os clérigos que a televisão não era um instrumento diabólico se podia transmitir imagens e sons das orações ao vivo de Meca.
É com esse fundo de desprezo pelo papel da mulher na sociedade que as 30 mais novas parlamentares vão ter que trabalhar para melhorar a vida de mulheres na Arábia Saudita. Elas vão funcionar numa parte separada dos membros masculinos do conselho, com equipes totalmente femininas, podendo falar com seus colegas do sexo oposto somente através de câmeras de vídeo. Mesmo assim, acho que a adição dessas 30 ao conselho vai ajudar em muito para avançar na defesa dos interesses de todas as mulheres sauditas. E isso é bom para o desenvolvimento do país e da sociedade, queiram ou não os clérigos.
Rasheed Aboualsamh é jornalista Fonte: Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/opiniao/abertura-para-as-mulheres-sauditas-7388322#ixzz2JOGFuTvN © 1996 - 2013. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.
O anúncio da nomeação de 30 mulheres sauditas pelo rei Abdullah, no dia 11 de janeiro, para serem membros do conselho de Shoura, uma espécie de parlamento que propõe legislação e políticas, deixou muitos sauditas felizes com esse avanço para as mulheres sauditas. Até então, o conselho de Shoura tinha sido um bastião exclusivamente masculino de 150 membros. O decreto real nomeando as mulheres também especificou que 20% dos lugares no Shoura daqui em diante tinham que ser ocupados por mulheres, fazendo a Arábia Saudita pular no ranking mundial de países com mulheres no Parlamento da posição 184 para o 80º lugar. Ironicamente, isso botou o reino saudita à frente de países como os EUA, Irlanda, Rússia, Índia e até do Brasil, em termos proporcionais.
Todas as mulheres nomeadas, exceto por três delas, têm doutorados, e são líderes nas áreas em que atuam. Thuraya Obaid, uma das nomeadas, foi uma diretora no programa de desenvolvimento internacional das Nações Unidas em 2000, enquanto Hayat Sindi é uma das melhores atuantes no campo de biotecnologia.
"Eu fiquei emocionada e orgulhosa," me disse a jornalista saudita Abeer Mishkhas. "Quando vi a lista de nomes fiquei feliz de ver um amplo espectro de mulheres escolhidas. Eu espero que elas usem sua experiência para avançar as questões das mulheres, como os direitos das divorciadas, o direito de dirigir e leis contra o assedio sexual."
O rei Abdullah tem pressionado por uma participação maior das mulheres na vida econômica e política do país, o que não tem agradado em nada aos ultraconservadores, que tem se queixado a cada brecha aberta para as mulheres. O rei tinha anunciado a sua intenção de nomear mulheres para o Shoura em um discurso no ano passado. Em 2011 ele anunciou que mulheres iam poder se candidatar e votar em eleições municipais em 2015. E no ano passado, o governo proibiu homens de trabalhar em lojas de lingerie feminina, abrindo mais espaço para mulheres trabalharem no varejo.
"Nós tomamos essa decisão porque nos recusamos a marginalizar mulheres na sociedade saudita," disse Abdullah em discurso. "Nós queremos vê-las em papéis que seguem a Sharia islâmica, e isso foi feito depois de consultar com muitos dos nossos estudiosos que apoiaram isso", explicou, acrescentando: "Mulheres muçulmanas sempre assumiram posições que não podiam ser marginalizadas desde os tempos do profeta Maomé."
Isso não impediu que um grupo de mais de 20 clérigos fossem protestar na frente da corte real em Riad na semana passada, contra a nomeação de mulheres ao Shoura, e com a esperança de ter uma audiência com o chefe de gabinete da corte real, coisa que não aconteceu.
O jornalista saudita Ahmed al-Omran relatou no seu site Riyadh Bureau que esses clérigos disseram que essas nomeações não representavam as pessoas morais e de bons costumes, e que um pequeno subgrupo deles divulgou um comunicado com uma longa lista de queixas contra o governo.
Entre suas acusações contra o governo estavam: o patrocínio de um caos ideológico e frouxidão cultural através de feiras de livros, clubes de literatura, bibliotecas e cafés, bem como a margem crescente de liberdade de expressão na mídia; a abertura de escolas de Direito, com isso enfraquecendo as cortes de Sharia; mudanças na política de educação que permitem a mistura dos sexos em algumas instâncias e o gasto de bilhões de rials para mandar estudantes ao estrangeiro; deixar mulheres participar de esportes, incluindo a decisão de mandar duas atletas sauditas para as Olimpíadas em Londres no ano passado, e a normalização da mistura dos sexos na sociedade através do encorajamento do emprego de mulheres em áreas como o varejo, indústria, restaurantes e escritórios de advocacia.
Como se pode ver pela longa lista de queixas, infelizmente esses clérigos ultraconservadores não querem deixar as mulheres sauditas fazer nada além de ter filhos e cuidar de suas casas. É também irônico o fato de que recorreram a uma manifestação pública, já que a maioria dos clérigos sauditas acha que protestos públicos não devem ser permitidos, porque mostrariam desobediência à soberania do país e levariam à desordem na sociedade.
A verdade é que, como sempre, mudanças na Arábia Saudita vêm do topo e não de baixo. Nos anos 1960 o governo saudita teve muitos problemas com a introdução de uma emissora de televisão, com muitos clérigos protestando contra isso, dizendo que era coisa do Diabo para arruinar o país. Restou ao rei Faisal mostrar para os clérigos que a televisão não era um instrumento diabólico se podia transmitir imagens e sons das orações ao vivo de Meca.
É com esse fundo de desprezo pelo papel da mulher na sociedade que as 30 mais novas parlamentares vão ter que trabalhar para melhorar a vida de mulheres na Arábia Saudita. Elas vão funcionar numa parte separada dos membros masculinos do conselho, com equipes totalmente femininas, podendo falar com seus colegas do sexo oposto somente através de câmeras de vídeo. Mesmo assim, acho que a adição dessas 30 ao conselho vai ajudar em muito para avançar na defesa dos interesses de todas as mulheres sauditas. E isso é bom para o desenvolvimento do país e da sociedade, queiram ou não os clérigos.
Rasheed Aboualsamh é jornalista Fonte: Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/opiniao/abertura-para-as-mulheres-sauditas-7388322#ixzz2JOGFuTvN © 1996 - 2013. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.
8.1.13
O CAMPO CIENTÍFICO
Aula passada conversamos sobre "verdade científica", a questão da razão e da ciência. Para os interessados em continuar os estudos, há um texto de Pierre Bourdieu muito esclarecedor e que nos ajuda a refletir. Coloco parte dele abaixo, aos interessados ver texto completo aqui. Boa leitura.
"O campo científico, enquanto sistema de relações objetivas
entre posições adquiridas (em lutas anteriores), é o lugar, o espaço de jogo de
uma luta concorrencial. O que está em jogo especificamente nessa luta é o
monopólio da autoridade científica
definida, de maneira inseparável, como capacidade técnica e poder
social; ou, se quisermos, o monopólio da
competência científica, compreendida enquanto capacidade de falar e de
agir legitimamente (isto é, de maneira autorizada e com autoridade), que é
socialmente outorgada a um agente determinado. Dizer que o campo é um lugar de
lutas não é simplesmente romper com a imagem irenista da "comunidade
científica" tal como a hagiografia científica a descreve − e, muitas
vezes, depois dela, a própria sociologia da ciência. Não é simplesmente romper
com a ideia de uma espécie de "reino dos fins" que não conheceria
senão as leis da concorrência pura e perfeita das ideias, infalivelmente
recortada pela força intrínseca da ideia verdadeira. É também recordar que o
próprio funcionamento do campo científico produz e supõe uma forma específica
de interesse (as práticas científicas não aparecendo como
"desinteressadas" senão quando referidas a interesses diferentes,
produzidos e exigidos por outros campos). Falando de interesse científico e de
autoridade (ou de competência) científica, pretendemos afastar, desde logo, as
distinções que habitam, implicitamente, as discussões sobre a ciência. Assim,
tentar dissociar o que, na competência científica, seria pura representação
social, poder simbólico, marcado por todo um "aparelho" (no sentido
de Pascal) de emblemas e de signos, e o que seria pura capacidade técnica, é
cair na armadilha constitutiva de toda competência, razão social que se
legitima apresentando-se como razão puramente técnica (conforme vemos, por
exemplo, nos usos tecnocráticos da noção de competência). Na realidade, o
"augusto aparelho" que envolve aqueles a quem chamávamos de
"capacidades" no século passado e de “competências" hoje − becas
rubras e arminho, sotainas e capelos dos magistrados e doutores em outros
tempos, títulos escolares e distinções científicas dos pesquisadores de hoje −
essa "ostentação tão autêntica", como dizia Pascal, toda essa ficção
social que nada tem de socialmente fictício, modifica a percepção social da
capacidade propriamente técnica. Assim, os julgamentos sobre a capacidade
científica de um estudante ou de um pesquisador estão sempre contaminados, no transcurso de sua carreira, pelo
conhecimento da posição que ele ocupa nas hierarquias instituídas (as Grandes
Escolas, na França, ou as universidades, por exemplo, nos Estados Unidos)."5.12.11
"Qual é sua cultura?"
Grupo: Bruno Filho, Letícia Tavares, Lis Neves, Luiza Gomes, Mariana Cardinot
O principal objetivo do trabalho foi tentar compreender e encontrar pontos em comum sobre o que pessoas de diferentes lugares, faixa etárias, graus de escolaridade e profissões entendem por cultura e como identificam a sua. Foram cerca de 50 entrevistados e apesar de algumas respostas inusitadas e outras terem se repetido em diferentes faixas etárias, é possível perceber que esta e os níveis de escolaridade são fatores que quase determinam a complexidade das respostas.
4.12.11
"Qual a importância da cultura para você?"
Grupo: Ana Gabriela, Caroline Dabela, Larissa Mendonça, Larissa Marins, Maria Lúcia, Natália Alvarenga
Foi a
partir dessa pergunta que fomos as ruas e entrevistamos crianças, adolescentes,
jovens, adultos e idosos para saber qual a importância da cultura para cada um.
Com o objetivo de se chegar a um senso comum sobre o assunto, obtivemos
diversas respostas: muitos não sabiam o que responder, outros se confundiram
com a resposta e responderam “o que é a cultura” ou “qual a sua cultura”.
Mas também conseguimos respostas que foram bem relevantes, que nos levavam a
dois caminhos diferentes: a importância da cultura como identidade e a importância
da cultura como integração.
Através do que foi
respondido, podemos relacionar com o que foi aprendido nesse semestre em aula,
desde Lévi-Strauss a Marilena Chauí. Percebemos nas resposta conceitos como:
etnocentrismo, optimum de diversidade, interculturalidade, entre
outros.
Logo, vimos que a
pergunta é difícil e por isso não existe uma resposta certa ou errada. Cada
pessoa tem os seus princípios, seus sonhos, suas crenças... sua cultura. E
assim a importância que a cultura tem para cada um difere a partir de
cada pensamento e maneira de vida.
"O que você entende por Cultura?"
Grupo: Hugo da Silva Ribas, Juliana Borré Henrice, Leonardo Cancellier, Paula Beatriz Dantas
Através de uma pesquisa de campo,
acerca da enquete “o que você entende por
cultura?” foi possível encontrar diferentes pontos de vista sobre o
que as pessoas entendem por cultura. As respostas foram agrupadas de acordo com
a faixa etária somando cinco grupos: crianças, adolescentes, jovens, adultos e
idosos. Após, foi somado o material teórico adquirido nas aulas de “comunicação
e cultura” ministrada pelo professor Marildo no curso de Estudos de Mídia,
perfazendo um total de cinco grandes autores, dentre eles, John B. Thompson e Claude
Lévi-Strauss, com o material coletado na pesquisa de campo. Como conclusão,
pode-se notar que a noção de cultura muda mais entre grupos de faixas etárias
diferentes do que dentro da mesma faixa etária, além de que a maioria dos
entrevistados tratou da cultura com um fator predominantemente artístico e cultural,
referindo-se a tradição de um povo, o que nos fez notar que apesar de serem
respostas não muito exploradas mentalmente, as concepções de cultura
apresentadas foram satisfatórias, visto que os entrevistados não só apresentam
uma concepção válida para cultura, como também sabem relacioná-la com seu
cotidiano de forma clara e precisa.
7.11.11
John B. Thompson - mídia e poder simbólico
Nascido em Miniapolis (Estados Unidos), o professor John B. Thompson está radicado na Inglaterra desde 1970. Aos 51 anos, leciona Sociologia na Universidade de Cambridge e tenta desvendar os meandros das relações da mídia com o poder e as instituições. Ganhou o prêmio Amalfi, um dos mais importantes na área de Ciências Sociais, na Europa. No Brasil, tem três livros publicados – “Ideologia e cultura moderna: teoria social crítica na era dos meios de comunicação de massa”, “A mídia e a modernidade: uma teoria social da mídia” e “O escândalo político: poder e visibilidade na era da mídia”, pela editora Vozes. Este último ele lançou na PUCRS, durante o Seminário Internacional de Comunicação “Cultura, poder e tolerância em um mundo complexo”, em setembro. Em entrevista ao Extra Classe, Thompson esmiuça sua teoria do escândalo político e se mostra curioso diante da “especificidade” da política brasileira.
Fonte e entrevista na íntrega em: http://www.sinpro-rs.org.br/extra/out02/entrevista.asp
Fonte e entrevista na íntrega em: http://www.sinpro-rs.org.br/extra/out02/entrevista.asp
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