3.11.09

| Edward Palmer Thompson

Edward Palmer Thompson.


Thompson foi um historiador britânico da concepção teórica marxista, considerado por muitos, o melhor do século XX.

Lutou contra o fascismo na Itália, durante a segunda Guerra Mundial. Em 1946, formou o grupo de estudos históricos marxistas, ao lado de Eric Hobsbawm dentre outros. Foi professor universitário por décadas, mas seu maior destaque foi na Universidade de Leeds, quando lecionou cursos não-acadêmicos para trabalhadores.

Também foram os trabalhadores que inspiraram seu mais importante trabalho: "A Formação da Classe Operária Inglesa", em 3 volumes. Seus trabalhos foram da história do trabalho a história da Cultura, tendo inspirado trabalhos de temas como sindicalismo, partidos, movimentos sociais, escravidão, campesinato, crimes, motins, entre outros.

Também questionou o neoliberalismo, os estudos culturais feministas e o marxismo ortodoxo. Teve base na desconstrução do marxismo estruturalista e do funcionalismo, usando o que pode ser chamado de marxismo "culturalista".

Edward Palmer Thompson nasceu em 03 de fevereiro de 1924 e faleceu em 28 de agosto de 1993, aos 69 anos.

Morre Lévi-Strauss, aos cem anos

O antropólogo Claude Lévi-Strauss faleceu na tarde dessa terça-feira, 03 de novembro, aos cem anos.

Lévi-Strauss é objeto freqüente nas aulas de Comunicação e Cultura, Estudos Culturais e tantas outras relacionadas à antropologia, na qual ele é um dos principais nomes. Realizou importantes projetos etnográficos aqui no Brasil, onde lançou o livro "Saudades do Brasil" e lecionou por 30 anos.

A Academia Francesa já prepara um tributo a Lévi-Strauss.

18.10.09

Senso comum sobre Cultura - Jovens

Os alunos Camila, Enio, Bruno, Raphael, Eduardo, Anthony e Lucas entrevistaram jovens de 17 a 27 anos. As perguntas: "O que é Cultura" e "Qual é a sua Cultura?". Confira abaixo:

2.10.09

Lévi-Strauss no Festival do Rio

O Festival do Rio traz em sua edição 2009 um filme sobre Lévi-Strauss. Claude Lévi-Strauss por ele mesmo, é um documentário de 93min.

Dirigido por Pierre-André Boutang, o longa mostra a trajetória do antropólogo através de declarações, fotografias, manuscritos e objetos de seu arquivo pessoal. O documentário é em sua maioria narrado pelo próprio Lévi-Strauss, sempre reforçando sua paixão por música, a defesa da natureza e, claro, a exaltação a diversidade cultural.

A última sessão do filme acontece agora, às 17:50, no Espaço de Cinema 3.

29.9.09

I Conferência Municipal de Cultura do Rio de Janeiro

A Cultura quer ouvir você.

A Secretaria Municipal de Cultura vai reformular a sua Política e quer ouvir a sua opinião, seja você artista, intelectual ou não. Basta ser cidadão para falar com um governo que quer ouvir você antes de tomar uma decisão. Quantas vezes já pediram sua opinião antes?

Em outubro debateremos o que queremos para a cultura de nossa cidade em diversos bairros do Rio de Janeiro e você poderá dizer o que gostaria de ver, saber, sugerir, criticar o que achar errado, apoiar o que gosta, fazer valer democraticamente a sua voz.
Não custa nada. Sua opinião é importante. Participe!

As inscrições para a I Conferência Municipal de Cultura do Rio de Janeiro vão até amanhã! Para inscrever-se, basta clicar aqui.

Para mais informações, siga a Conferência pelo Twitter!

21.9.09

O processo civilizatório... no século passado?

Na aula desta segunda-feira, o professor Marildo leu alguns trechos do texto "O Processo Civilizatório", de Norbert Elias. Itens como "não assoar o nariz na toalha da mesa" eram vistos como básicos na cultura da época. Mas e hoje? Muita coisa mudou?

Direto do site "Recreio da Juventude":


Etiqueta no dia-a-dia
Independente dos conhecimentos adquiridos com a família ou na escola, manter sempre ligados os sensores do bom comportamento é importante. Confira algumas dicas que podem ajudar a convivência social no dia-a-dia:

Na piscina....
Tenha sempre a mão a sua própria toalha, o seu boné e o seu protetor solar. Fique atento para não monopolizar bóias, cadeiras e qualquer outro equipamento de uso comum.

Na academia...
É preciso decidir se vai malhar ou falar ao telefone celular. É de péssimo gosto ficar batendo papo dentro da sala de ginástica. Prejudica o desempenho e atrapalha a concentração dos outros. Se for inevitável levar o telefone, deixe a campainha bem baixa e saia da sala para atender a ligação. Leve sempre uma toalha para colocar sobre o colchonete. Academia não é salão de festas, portanto, contenha-se e deixe aquele batom vermelho-sangue só para a noite.

Na hidroginástica e natação...
Nunca entre na piscina sem antes tomar uma ducha. Se você estiver gripado, faça uma caminhada ou fique em casa. Isso evitará qualquer resíduo proveniente de um espirro na água. Use sempre a touca ao entrar na piscina.

No vestiário...
Procure manter suas coisas organizadas. Um tênis largado na passagem pode ocasionar um acidente. Sem falar no risco de esquecer objetos.


Alô, chics!


Quer entender mais sobre etiquetas e civilizações, com base teórica? Então leia o artigo da Lucineide do Nascimento Santos: "A Etiqueta como forma de Poder".

Adam Kuper e as civilizações


Adam Kuper é um antropólogo nascido em 1941, ligado à Escola de Antropologia Social. Em seus trabalhos, costuma analisar a cultura em seus usos e seus significados.

Nascido e criado na África do Sul, ele ingressou na Universidade de Witwatersrand em Johannesburg. Seu doutorado, na Universidade de Cambridge, foi baseado no campo de pesquisa no deserto Kalahari, que hoje é conhecido como Botswana. Depois da graduação, ele retornou à África, fazendo diversos trabalhos de campo em Botswana e Uganda e ensinando por três anos na Universidade Makerere, em Kampala. De 1970 a 1976, lecionou na Universidade College London. De 1976 a 1985, ele foi professor de antropologia africana na Universidade Leiden, na Holanda. De 1985 a 2008, foi professor na Universidade Brunel, onde era chefe do Departamento de Ciências Humanas e, mais tarde, chefe do Departamento de Antropologia.

Recebeu o prêmio de pesquisa "Leverhulme Major Research Grant" por dois anos (2003 e 2005), o qual o permitiu gastar mais de seu tempo com pesquisas.

14.9.09

| Nestór García Canclini


| Néstor García Canclini é argentino, antropólogo e estudou também letras. Doutorou-se em 1975 pela Universidad Nacional de La Plata e, três anos depois, pela Universidade de París. Foi docente da Universidad de La Plata (1966-1975) e na Universidad de Buenos Aires (1974-1975). Desde 1990, é professor e pesquisador investigador da Universidad Nacional Autónoma de México, Unidade Iztapalapa, onde dirige o Programa de Estudios sobre Cultura. Foi professor das universidades de Stanford, Austin, Barcelona, Buenos Aires e da USP. Já publicou cerca de 20 livros sobre estudos culturais, globalização e imaginação urbana. É um dos principais pensadores ligados aos Estudos Culturais Latino-americanos. No Brasil encontramos algumas traduções de sua obra, tais como o fundamental "Culturas Híbridas: estratégias para entrar e sair da Modernidade" (Ed. Martins Fontes); "Consumidores e cidadãos" (Ed. UFRJ); "Culturas da Ibero-américa" (Ed. Moderna): "Diferentes, desiguais e desconectados" (Ed. UFRJ).

Para aqueles que querem conhecer um pouco melhor o pensamento de García Canclini, abaixo colocamos um artigo seu e uma entrevista feita com ele.

"En algunos casos, sobre todo en América Latina, al estudiarse conjuntamente la interacción de estos campos disciplinarios con su contexto se viene produciendo una renovación de las humanidades y las ciencias sociales. En Estados Unidos, los cultural studies han modificado significativamente el análisis de los discursos, dentro del territorio humanístico". *Para continuar lendo o artigo "El malestar en los Estudios Culturales", clique aqui.

"Hibridação designa um conjunto de processos de intercâmbios e mesclas de culturas, ou entre formas culturais. Pode incluir a mestiçagem -racila ou étnica-, o sincretismo religioso e outras formas de fusão de culturas, como a fusão musical. Historicamente, sempre ocorreu hibridação, na medeida em que há contato entre culturas e uma toma emprestado elementos das outras. No mundo contemporâneo, o incremento de viagens, de relações entre as culturas e as indústrias audiovisuais, as migrações e outros processos fomentam o maior acesso de certas culturas aos repertórios de outras. Em muitos casos essa não é só de enriquecimento, ou de apropriação pacífica, mas conflitiva." Para continuar lendo a entrevista, clique aqui.

8.9.09

Safari na Favela? Conheça o "Gringo na Laje"


Por meio de uma pesquisa socioetnográfica, Bianca Freire-Medeiros busca compreender os novos arranjos sociais que permitem emoldurar, anunciar, vender e consumir a pobreza, atribuindo-lhe um valor monetário acordado entre promotores e consumidores no mercado turístico.
A pesquisadora esteve nas townships da África do Sul e em Dhavari, considerada a maior slum da Índia, mas é a favela carioca da Rocinha seu grande foco de interesse.

Para mais informações ou comprar ou livro, clique aqui.

1.9.09

Alma Não Tem Cor

Na aula de Comunicação e Cultura desta segunda-feira (31/08), os alunos foram instigados a estabelecer relações entre o texto "Raça e História", de Lévi-Strauss, e a canção "Alma Não Tem Cor", do Karnak, gravada também por Chico César e Zeca Baleiro. A primeira gravação é de 1995 e a letra de André Abujamra. Como afirma Zeca, em seu site, essa canção é "um hino à diferença". As análises dos alunos aparecerão nos comentários desse post.


Alma Não Tem Cor

alma não tem cor
porque eu sou branco
alma não tem cor porque eu sou preto

branquinho neguinho branco negão
branquinho neguinho branco negão
branquinho neguinho branco negão
branquinho neguinho branco negão

percebam que a alma não tem cor
ela é colorida ela é multicolor

azul amarelo verde verdinho marrom
azul amarelo verde verdinho marrom
azul amarelo verde verdinho marrom
azul amarelo verde verdinho marrom

você conhece tudo
você conhece o reggae
você conhece tudo
você só não se conhece

| Lévi-Strauss


Um dos grandes pensadores do século 20, Lévi-Strauss tornou-se conhecido na França, onde seus estudos foram fundamentais para o desenvolvimento da antropologia. Filho de um artista e membro de uma família judia francesa intelectual, estudou na Universidade de Paris.

De início, cursou leis e filosofia, mas descobriu na etnologia sua verdadeira paixão. No Brasil, lecionou sociologia na recém-fundada Universidade de São Paulo, de 1935 a 1939, e fez várias expedições ao Brasil central. É o registro dessas viagens, publicado no livro "Tristes Trópicos" (1955) que lhe trará a fama. Nessa obra ele conta como sua vocação de antropólogo nasceu durante as viagens ao interior do Brasil.

Exilado nos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), foi professor nesse país nos anos 1950. Na França, continuou sua carreira acadêmica, fazendo parte do círculo intelectual de Jean Paul Sartre (1905-1980), e assumiu, em 1959, o departamento de Antropologia Social no College de France, onde ficou até se aposentar, em 1982.

O estudioso jamais aceitou a visão histórica da civilização ocidental como privilegiada e única. Sempre enfatizou que a mente selvagem é igual à civilizada. Sua crença de que as características humanas são as mesmas em toda parte surgiu nas incontáveis viagens que fez ao Brasil e nas visitas a tribos de índígenas das Américas do Sul e do Norte.

O antropólogo passou mais da metade de sua vida estudando o comportamento dos índios americanos. O método usado por ele para estudar a organização social dessas tribos chama-se estruturalismo. "Estruturalismo", diz Lévi-Strauss, "é a procura por harmonias inovadoras".

Suas pesquisas, iniciadas a partir de premissas lingüísticas, deram à ciência contemporânea a teoria de como a mente humana trabalha. O indivíduo passa do estado natural ao cultural enquanto usa a linguagem, aprende a cozinhar, produz objetos etc. Nessa passagem, o homem obedece a leis que ele não criou: elas pertencem a um mecanismo do cérebro. Escreveu, em "O Pensamento Selvagem", que a língua é uma razão que tem suas razões - e estas são desconhecidas pelo ser humano.

Lévi-Strauss não vê o ser humano como um habitante privilegiado do universo, mas como uma espécie passageira que deixará apenas alguns traços de sua existência quando estiver extinta.

Membro da Academia de Ciências Francesa (1973), integra também muitas academias científicas, em especial européias e norte-americanas. Também é doutor honoris causa das universidades de Bruxelas, Oxford, Chicago, Stirling, Upsala, Montréal, México, Québec, Zaïre, Visva Bharati, Yale, Harvard, Johns Hopkins e Columbia, entre outras.

Aos 97 anos, em 2005, recebeu o 17o Prêmio Internacional Catalunha, na Espanha. Declarou na ocasião: "Fico emocionado, porque estou na idade em que não se recebem nem se dão prêmios, pois sou muito velho para fazer parte de um corpo de jurados. Meu único desejo é um pouco mais de respeito para o mundo, que começou sem o ser humano e vai terminar sem ele - isso é algo que sempre deveríamos ter presente". Atualmente, mora em Paris.

Fonte: http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u642.jhtm

|Outro artigo interessante para quem quiser saber um pouco mais sobre o fundador da antropologia estrutural é O estruturalismo - Lévi-Strauss e a antropologia estrutural , do site Cultura e Pensamento, de Voltaire Schilling.

27.8.09

O Ritual do Corpo entre os Sonacirema

A cultura da tribo dos Sonacirema foi citada na aula de Comunicação e Cultura do professor Marildo. Seus rituais e particularidades foram relatados no texto de Horace B. Minner, e você confere um trecho abaixo:

"O Prof. Linton foi o primeiro a chamar a atenção dos antropólogos para o complexo ritual dos Sonacirema, há vinte anos atrás. Mas a cultura deste povo é ainda muito pouco compreendida. Os Sonacirema são um grupo norte-americano que vive no território que se estende desde o Cree do Canadá aos Yaoui e Tarahuma do México e aos Carib e Aruaque das Antilhas. Pouco se sabe quanto à sua origem, embora a tradição mítica afirme que eles vieram do leste".

Para ler ao texto completo e conhecer um pouco mais dessa "tribo estranha", é só clicar aqui.

26.8.09

"É que Narciso acha feio o que não é espelho..."

Quando Caetano Veloso gravou o álbum "Muito", em 1978, ele recebeu duras críticas sobretudo pelo repertório. O álbum vendeu cerca de trinta mil cópias, muito pouco comparado ao que o músico costumava vender. O álbum contava com uma homenagem ao Pelé (na época, ministro dos esportes), além de uma versão para "Eu Sei Que Vou Te Amar", de Tom e Vinícius.

Apesar do baixo sucesso comercial, uma música desse álbum ficou eternizada na carreira de Caetano Veloso e nas aulas de Comunicação e Cultura: "Sampa"!

As impressões de um músico baiano sobre a grande cidade de São Paulo se refletem na letra que, além de citar a geografia da cidade, mostra a cultura local vista por alguém de fora.

17.8.09

Sejam bem-vindos, calouros 2009.2!

Sabemos que vocês estavam doidos pra que as aulas começassem logo, que vocês encheram as mãos de álcool em gel todos os dias, na esperança de que as aulas voltassem para a semana passada. Mas a espera acabou, calouros!

A partir dessa semana, vocês conhecerão muito sobre o curso de Estudos de Mídia e um dos canais para a aproximação de vocês e do curso é este blog, ligado à disciplina Comunicação e Cultura e diversos assuntos relacionados a questões discutidas em sala de aula. Sugestões para o blog, textos que vocês quiserem postar etc. sempre são muito bem vindos!

Para entrar no clima do nosso campus, um vídeo sobre a construção da praia do IACS. O vídeo foi produzido há alguns anos por estudantes de cinema.

A segunda parte do vídeo você encontra aqui.

24.7.09

Trabalhos de final de período


Para a disciplina "Estudos Culturais", os alunos fizeram pesquisas relacionadas aos temas estudados e agora você pode conferi-los no Culturamauff.

Música Pop, Virgindade e Identidades Culturais: Claudinne Peixoto, Marcelo Mendonça, Vanessa Mello e Vanessa Morais.

Os usos culturais e sociais da Virgindade. A forma como a mídia e determinados estilos musicais juvenis reforçam a virgindade como, além de questão física, uma identidade cultural.


Jornal Meia-Hora e Estudos Culturais: Alan Pessanha, Carolina Akool, Fernanda Carvalho e Gustavo Castro.

Como o Jornal Meia Hora se adapta às linguagens mais populares para atingir as camadas menos favorecidas economicamente.


Você também confere um trabalho da disciplina "Comunicação & Cultura" no CulturamaUFF.

“Ser Diferente é Desconectar-se? Sobre as Culturas Juvenis” de Néstor García Canclini: Carolina Akool e Gustavo Castro

O texto “Ser Diferente é Desconectar-se? Sobre as Culturas Juvenis” de Néstor García Canclini trata dos jovens e suas questões na sociedade pós-moderna, compreendendo o mercado, presentismo, fragmentação e dilemas da globalização.

1.7.09

ENCERRAMENTO DE SEMESTRE


|Estamos chegando ao final de mais um semestre letivo. Novos alunos vieram somar-se aos mais antigos do Curso de Mídia. A turma 2009/1 começou já mandando ver. Certamente ouviremos falar muito deles daqui por diante. O começo foi promissor. Claro que saímos para festejar na Cantareira o final do semestre. Na foto aparecem grande parte dos alunos e a querida professora e amiga Ana.

DA TROPICÁLIA AOS PONTOS DE CULTURA


|Nessa terça-feira, dia 30 de junho, Aline Carvalho - da primeira turma de formando de Mídia - lançou seu livro: "Produção de Cultura no Brasil: da Tropicália aos Pontos de Cultura". O livro é resultado de sua monografia de final de curso que tive o prazer e honra de orientar.
Parabéns Aline pela força de vontade, capacidade e empenho de agir para transformar o que considera necessário ser transformado e pensar analiticamente sobre sua prática.

8.6.09

Entrevista com George Yúdice


|A fim de nós prepararmos melhor para a Mesa Redonda sobre Estudos Culturais Latino-Americanos, reproduzo parte de uma entrevista concedida por George Yúdice a Heloísa Buarque de Hollanda, que foi publicada no Portal Literal. Yúdice é um dos pesquisadores que vai estar presente quarta-feira, dia 10 de junho, no Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, a partir das 18h30min.
|Vejamos parte da entrevista. Quem se interessar poderá ler a entrevista completa clicando aqui.

Heloísa Buarque de Hollanda - 17/08/2005
Em seu novo livro, "A conveniência da cultura: usos da cultura na era global" (Ed. UFMG), George Yúdice tenta explicar um mundo em que gestores, produtores e curadores são mais importantes que os próprios artistas.

HBH. George, sua intervenção como intlectual é tão polivalente que é difícil adivinhar qual foi sua formação. Afinal o que você estudou?
Yúdice. Eu estudei Química, Artes e Letras simultaneamente na Cunny University. Depois foz mestrado e doutorado em Letras.
[Sobre seu livro, "Conveniência da cultura"]

HBH. Há um claro salto de local, de tema, de campo de estudos. O que chamou a sua atenção para seu direcionamento para o debate mais voltado para as políticas públicas, para a discussão do Estado liberal, para as questões da economia da cultura?
Yúdice. Foi a própria virada dos anos 90 na área da cultura, era uma coisa muito evidente. me dei conta de que toda cultura precisa de um sistema de financiamento, de apoio. Eu estava também trabalhando em fundações o que me levou a me ligar nesses assuntos.

HBH. Houve influência do Nestor Canclini nessa virada?
Yúdice. Houve. Eu conheci o Canclini no começo dos anos 90, em um congresso em 1993 no México. Ele me ajudou muito nessa transição. Quando organizamos aquele congresso no México, como você, inclusive, era para falar sobre estudos culturais nas Américas. Vieram pessoas dos Estados Unidos, do Canadá, da América Latina. Eu me lembro que vi lá, pela televisão, que havia uma preparação para a Nafta (Tratado do Livre Comércio da América do Norte). Na televisão havia propagandas do tipo "Mexicanos, vamos entrar para o primeiro mundo, não sujem as ruas, entrem no trabalho na hora". Esse tipo de mensagem pública. E isso era muito esquisito. Só comecei a falar dessas coisas no ano seguinte. Depois de fazer contato com o Canclini neste congresso, ele me pediu para fazer um estudo do impacto do livre comércio nos Estados Unidos. E eu fiz um ensaio em 1994. Entrei na comissão da Fundação México-Estados Unidos e comecei a pesquisar mais sobre esses sistemas de financiamento. Nos EUA, eu já tinha feito parte do Conselho de Arte de Nova York, e me dei conta de como funcionava essa engrenagem. Nos EUA, a questão privada é muito mais importante em termos de financiamento do que a área pública. Foi a partir daí que propus um projeto para a Fundação Rockefeller sobre os impactos do fenômeno da privatização da cultura. (...) comecei também a fazer trabalhos práticos, não só estudos analíticos, mas também propositivos. Começou ali na metade dos anos 90. No ano de 1998, eu já escrevia textos sobre esses fenômenos. Mas o livro levou muito mais tempo, porque eu tinha que pensar nas grandes mudanças macros do mundo, para compreender as mudanças micro de fundações, financiamentos e também na cultura. As fundações queriam que esses financiamentos tivessem uma repercussão social.

Estudos Culturais Latino-americanos - Mesa Redonda

Se você ainda não sabe como aproveitar o feriadão dessa semana e não tem com quem passar o Dia dos Namorados, o CulturamaUFF te dá uma dica!

Na quarta-feira (10), o Campus da Praia Vermelha - UFRJ recebe Abril Trigo - professor de culturas latino-americanas e diretor do Centro de Estudos Latino-americanos, na Ohio State University -, George Yúdice - professor da University of Miami - e a professora Beatriz Resende - professora da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), pesquisadora do CNPq e do PACC (Programa Avançado de Cultura Contemporânea) - que também fará a mediação da mesa.

A partir da quinta-feira de Corpus Christi (11), os Estudos Culturais Latino-americanos passam a ser discutidos na PUC-Rio. O congresso tem o objetivo de discutir as relações econômicas, políticas, sociais e culturais entre países latinos e desenvolvidos. O congresso vai até o dia 14. Para maiores informações, clique aqui.

"Ilha das Flores" por Comunicação e Cultura

De acordo com o curta "Ilha das Flores", exibido em sala de aula, os estudantes de Comunicação e Cultura produziram imagens e textos para ilustrar o filme de Jorge Furtado. Confiram as produções desses telencéfalos altamente desenvolvidos com polegares opositores:

Por Andressa Lacerda, Érika Xavier, Francisco Protasio, Julia Guedes, Maria Mendes e Rodrigo Ribeiro
O lixo não é lixo


O que sobra pra quem sobrou

O lixo não é lixo

O lixo não é luxo

O lixo é o que tem

É de quem tem

É a vida de quem não tem

De quem?

Quem não é, e é

De quem sobrou

Faltou.


É o nada e o tudo

É o estranho mundo(mudo)

O que sobra no final

Fim do carnaval

Fome,

Homem.


Por Gustavo S. de Castro e Carolina Akool S. Gonçalves

Liberdade dos felizes, liberdade dos aflitos, liberdade de quem liberta, liberdade de quem morre.
Diversas faces de um só sonho
Sonho que faz brotar esperança
Mas que faz sofrer os abandonados

Injusto é o mundo onde as consequências da liberdade depende de um jogo de sorte.


Por Matheus Marins, Mayara Soares, Jesiel Araújo, Júlia Pacheco e Júlia Câmara


Por Fernando Benevides, Leticia, Felippe, Camila e Lonya

É seu único lugar no mundo
Que é seu abrigo
A sua casa
Que traz a liberdade
Em clima de felicidade
Onde pode ficar nú!
Onde pode ficar
Onde pode ficar nú!
E é tão difícil arrumar isto pra gente...
Não há vitória quando a luta não é justa
Mas só há relutancia por esse mundo melhor
E que nos traz a resposta
E qual é o resultado disso?

Música "Casa", do Cidade Negra.


Por Ana Carolina Martins, Luana Furtado, Carlos Coelho, João Fanara, Gustavo Rocha e Jander Brum

A vida das pessoas que tiram seu sustento do lixo parece ser ignorada por toda sociedade. Em uma lata de lixo está depositada tudo aquilo que as pessoas querem se livrar; seja por nojo ou por sua não utilidade. Misturado a um forte cheiro, recebendo como companhia homens que vagam em meio a esse cenário, retirando seu sustento, transformando restos de alimentos em prato principal, convertendo metais em dinheiro, pescando nesse mar de sujeira o que pode ser a próxima refeição.

A sociedade teima em não olhar para essas pessoas, a cena constrange, mas não é suficiente para pensar na qualidade de vida desses que vivem disputando espaço com animais hostis e nem para o desperdício comprovado e afirmado por cada indivíduo, que tem como sustento o resto dos outros. A seletividade de quem tem apenas as sobras, não é a mesma que se teve para livrar- se de um alimento ou de um objeto. O lixo é um lugar onde está depositado tudo aquilo que ignoramos e temos urgência em tirar da nossa frente, o que não é mais conveniente para nossas vidas e quase no mesmo instante repomos por algo novo, sem pensar que alguém dividirá com moscas, ratos e baratas e fará do objeto do nosso desprezo, a melhor coisa do seu dia .

Clique nas imagens para vê-las com maiores detalhes.

2.6.09

Sua vida na Televisão?

E não estamos falando de reality show!

Na quarta-feira, 03/06, a aula de Estudos Culturais será exepcionalmente ministrada por Marina Caminha, que fez um trabalho super interessante sobre o quadro "Retrato Falado", exibido há algum tempo pelo Fantástico, englobando diversos fatores da identificação do telespectador com o exibido pela tv.

"É a partir do cotidiano que a narrativa do Retrato articula a estratégia de presença, particularizando as experiências vividas e revelando vestígios de um modo de contar anterior: o da telenovela brasileira.

Portanto, tornar o cotidiano categoria e rastrear a forma como tem sido configurado em Retrato Falado significa analisar os usos pelos quais cada matriz criou um modo de operá-lo. Para além, a fabulação do cotidiano no quadro é conseqüência de um jogo dialógico entre essas marcas, presentes anteriormente no mundo da telenovela brasileira. O ponto de partida para a análise não serão esses gêneros em separado, mas as conseqüências dessa relação que produziu um universo contado a partir do verossímil e que denominamos de fábula cômica do cotidiano.

É pela matriz da telenovela que faremos a contextualização da categoria cotidiano na televisão. Nesse sentido, afirmamos que as modificações encontradas na narrativa da telenovela, a partir da década de 1970, com a chamada proposta realista, foram parte de um processo narrativo que legou a junção entre as marcas do melodrama e do documentário em Retrato Falado, gerando uma espécie de teia narrativa que se vincula a outros programas televisivos e a própria telenovela, como veremos.
"

Para ler o texto inteiro, clique aqui!